A.Gromow - Página GURGEL apresenta: -Depoimento de Paulo Malaman sobre sua visita à Rio Claro em 23 de maio de 2001
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Caro Alexander.

Cheguei à Rio Claro por volta das 13:00 horas e, pedindo informações, cheguei ao enorme prédio do Fórum. Estacionei o Fusca estrategicamente de modo que pudesse vê-lo do saguão e comprei um cartão de "zona azul", que por sinal também é bem grande.
Fui muito bem atendido pelos funcionários do Fórum. Muito prestativos, me indicaram a lista do que seria leiloado, afixada a um mural. O leilão visava vender o prédio da Gurgel com a "porteira fechada", ou seja, com tudo o que estivesse lá dentro exceto os carros, discriminados no fim da lista e que seriam vendidos um a um.
Fiquei louco ao ver que dentre os carros havia dois Xefs, vários G-800, um Itaipu e mais alguns protótipos. Mais uma vez o funcionário do Fórum, que pareceu ter ido com minha cara, entrou em cena indicando um senhor de terno como sendo o síndico do prédio da Fábrica. Apresentei-me e disse que estava interessado em ver os carros que estavam trancados na linha de montagem. Sem pestanejar, ele pediu um pedaço de papel a alguém do balcão onde se encontrava e anotou o telefone do advogado responsável pela "massa falida". Liguei para ele de meu celular e consegui autorização para entrar na fábrica.
Ao chegar à fábrica um misto de excitação e tristeza me invadiu. Excitação por estar entrando num lugar em que sempre quis estar e tristeza devido ao estado de abandono da antiga "fábrica de sonhos" do Sr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel.
Andando entre prédios e galpões pude ver o que sobrou de uma propaganda do Supermini que mostrava um monte de ovelhas sobre a frase "fuja do rebanho".
Pelas janelas do prédio administrativo vi pilhas de mesas, cadeiras, estantes e velhos computadores . Num galpão menor, os moldes das carrocerias de fibra de vidro permaneciam no mesmo lugar em que estavam seis anos antes.
Logo depois do "eletroposto" estava a entrada para a linha de montagem. Um enorme prédio parecia congelado no tempo. Mesmo após alguns saques, se não fosse a grossa camada de poeira parecia que a linha parara após o expediente para retomar as atividades pela manhã.
Em meio a diversas versões do Supermini e carrocerias ainda sem pintura, encontrei vários G-800 em versões furgão, pick-up simples e dupla e um Itaipu, movido por tração elétrica. Vários Carajás com duas e quatro portas também jaziam no escuro e empoeirado galpão.
Mas o que mais me chamou a atenção foram os dois Xefs. Um 1984 vermelho e um protótipo feito em 1985 com teto targa. Ambos em bom estado .
Foi uma visão dura para quem está envolvido com a história da marca e com os sonhos do Sr. Gurgel, ainda mais sabendo de seu delicado estado de saúde.
Fiz algumas fotos e saí me sentindo meio "voando" de volta ao Fórum.
O leilão já havia começado e iria demorar muito, talvez entrasse pela noite.
Em meio ao barulho do carro de som do sindicato dos metalúrgicos local e dos quase 700 funcionários esperançosos por receber dívidas trabalhistas que somadas chegam a R$ 14.000.000,00 , peguei o Fusca e voltei para São Paulo.
Soube no dia seguinte que a Gurgel não foi vendida. Um novo leilão deverá ocorrer em Junho de 2001.
Um grande abraço e desculpe-me pela emoção. Isso realmente mexeu comigo.

Paulo Malaman.
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